A importância dos livros de John Green

Na Semana Especial de ‘Tartarugas Até Lá Embaixo’, novo livro do autor, falamos um pouco sobre as nossas obras preferidas do John Green e sua importância na vida de milhares de leitores

A mente humana é, de fato, uma caixa de surpresas. Por mais clichê que essa afirmação seja. Mas, em minha opinião, resume bem a sensação que boa parte de nós tem em relação ao nosso subconsciente. Aquilo que mais queremos controlar, muitas vezes, é o que mais está fora do nosso controle. E isso assusta. Sufoca. John Green é um autor que sabe traduzir em palavras esse medo, essa ansiedade que teima em tentar ditar as regras da nossa vida. A editora Intrínseca convidou seus parceiros para uma semana especial de Tartarugas Até Lá Embaixo, o novo livro do escritor, após uma espera de seis anos, e, neste post, falarei um pouco sobre minhas obras preferidas dele, que agora incluem também a incrível história de Aza Holmes.

Minha relação com Green começou um pouco tardia e já com A Culpa é das Estrelas. De cara, como milhares de leitores, fiquei completamente encantada e envolvida com Hazel e Augustus. Mas, mais do que isso, com a escrita de John Green. Achei o livro de uma sensibilidade única, especialmente por abordar um assunto tão doloroso e uma doença que permeia os meus maiores pesadelos: o câncer. Hazel e Augustus nos mostraram uma nova perspectiva para lidar com uma situação que, como tantas outras, foge do nosso controle. Acima de tudo, gostei do cuidado e do entendimento de Green de que aquilo não poderia ser romantizado – por mais que a história de Hazel e Augustus seja de amor. Ele nos mostra que essa é a vida, e ela inclui perdas, dores e sofrimentos.

Depois, desbravei as Cidades de Papel ao lado de Quentin e Margot. Dessa vez, Green nos faz refletir sobre nossas próprias escolhas e o quão importante é nos redescobrirmos. Tudo bem que não precisamos ser tão literais quanto Margot e desaparecermos para começarmos essa jornada de autoconhecimento, mas precisamos ouvir e encontrar a nossa própria voz. E principalmente nos aceitarmos com nossos próprios defeitos e qualidades. Nossas fraquezas e pontos fortes. A vida é uma só e seria um desperdício não vivê-la intensamente. Gostei muito de acompanhar Quentin e seus amigos nessa empreitada, que também me fez olhar mais atentamente para a minha própria história.

Agora, conheci Aza Holmes e sua mente incontrolável. Tartarugas Até Lá Embaixo mexeu comigo de uma maneira quase inexplicável. Ou melhor, talvez eu saiba exatamente o porquê de tanta emoção, mas, assim como Aza, eu tenho medo de expô-la. De colocar tudo para fora. A maneira como Green retrata o “mundo interior” da protagonista é quase visceral. E o fato de saber que ele mesmo sofre desse Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) me deixou ainda mais sensível em relação a tudo o que lia. Porque só quem já passou por algo assim sabe exatamente qual é a sensação. Eu convivo com isso. Na minha família e no meu círculo pessoal. E comigo mesma. Não no nível de Aza, mas a sensação de paralisação do corpo após um ataque de pânico é uma sensação indescritível e inesquecível. Não é fácil. Não é fácil lembrar, não é fácil ver, não é fácil para quem está do seu lado, assim como imagino que não tenha sido fácil para Green transformar isso nessa história tão profunda e tão necessária.

Aliás, o poder de comunicar, de compartilhar que Green possui é o que mais gosto nele e em suas obras. Porque ele consegue falar abertamente de assuntos tão delicados, mas que precisam ser debatidos, especialmente entre os jovens. Sinto nos livros dele uma inclusão, uma abertura para que outras pessoas possam se reconhecer e perceberem que não estão sozinhas. Que não precisam passar por tudo isso sozinhas. Green não se omite. Ele nos dá a oportunidade de combatermos aquilo que, por tantos anos, nos aprisionava numa espiral crescente e afuniladora. E isso não tem preço. É, de fato, libertador.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada “literariamente”. Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de “A Bela e a Fera”.

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