Nanatsu no Taizai – The Seven Deadly Sins (1), de Nakaba Suzuki | Resenha

book:
Nakaba Suzuki

Reviewed by:
Rating:
5
On 12/10/2017
Last modified:06/11/2017

Summary:

Sério, divertido e viciante!

The Seven Deadly Sins: um tiro no escuro que deu certo

Foi meio que por acaso que eu me interessei em começar a ler a coleção de mangás The Seven Deadly Sins — cujo título original é Nanatsu no Taizai —, de Nakaba Suzuki, publicado no Brasil pela JBC. Foi em um belo dia, quando eu estava passeando por uma livraria perto da minha casa, tentando me controlar para não sair pegando, comprando — e me endividando — todos os livros que eu via pela frente, e vi em uma placa meio escondida, perto de uma escada pequena e que eu nunca havia notado na minha vida — e olha que eu frequento essa livraria desde que ela abriu —, dizendo que eles haviam incorporado uma sessão geek e de mangás.

Naturalmente, eu subi as escadas praticamente saltitando de alegria. Dentre as maravilhas pelas prateleiras, eu encontrei o volume 2 do The Seven Deadly Sins.

Como os mangás foram feitos para deixar os seus fãs enlouquecidos, nem sempre eles vêm com uma sinopse, ou seja, eu tive que entrar na internet para ver a sinopse da história naquele exato momento, segurando o mangá — e rosnando para qualquer um que se atrevesse a olhar para ele, porque, para deixar as coisas mais emocionantes, só tinha um exemplar. Gostei da premissa da história, decidi comprar — e olha que eu estava sendo tão forte para não comprar nada —, só que vejam a tragédia…

Não tinha o volume 1.

Depois de muito procurar, fiquei sabendo que estava esgotado. Indisponível. Caro à beça em sites de revendas.

Depois de chorar um pouquinho, eu comprei o volume 2 mesmo — e o 3, o 4, o 5 e o 6. Saí da livraria depenada, mas feliz.

Só recentemente foi que eu conseguir encontrar e adquirir o primeiro volume — foi quase tão difícil quanto entrar para a faculdade.

Então, fica aqui o meu apelo — meio que uma exigência — para que a editora relance volume 1, por favor. Aproveitem e reeditem o volume 2 também, porque, até onde eu sei, também não está fácil de encontrar.

Pelo que pude perceber, a maioria das pessoas sabia que havia um anime dessa série, menos eu — lerda até o fim. Depois que fiquei sabendo, fui assistir.

Serviu para me dar ainda mais vontade de ler o mangá. Que ótimo, era isso mesmo o que eu queria — mas, se você não gosta de spoiler e assistir ao anime pode acabar com a sua vontade de ler o mangá, então esquece o anime. Foca no mangá e vai para o anime depois.

‘The Seven Deadly Sins’ – Série Netflix / Divulgação

Enfim, a história nos traz a “lenda” dos Sete Pecados Capitais, um grupo de cavaleiros cruéis e poderosíssimos que conspirou para derrubar o Reino de Britânia. Dez anos depois, os Cavaleiros Divinos, ditos os guerreiros sagrados que deveriam ser justos e leais ao reino, realizam um golpe de Estado, capturando a família real e tornando-se os novos governantes tirânicos do reino.

No entanto, a princesa Elizabeth sai em uma jornada em busca dos Sete Pecados Capitais, na esperança de que talvez eles possam ajudá-la a impedir os Cavaleiros Divinos.

E ela acaba encontrando um moleque — segundo as aparências, que podem enganar —, dono de um bar chamado Boar Hat — Chapéu de Javali —, que fica nas costas de um porco gigante que fica enterrado no chão — é isso mesmo, eu também fiquei com uma cara de ponto de interrogação quando vi isso — e tem como funcionário e fiel amigo um porco falante, que se intitula um cavaleiro dos restos, cujo trabalho é comer os restos de comida que os clientes inevitavelmente deixam para trás, já que a comida servida no bar é horrorosa. E o nome desse moleque meio tarado e esquisito, dono de um bar ainda mais esquisito, é Meliodas — e o porco falante é Hork, só para constar.

E eu não vou falar mais nada, porque do contrário vou sair dando spoiler e aí não vai prestar.

Apesar de parecer ser bem doida, eu gostei da história e do que ela promete, gostei do tom sério que o autor deu à trama, misturado com a comicidade dos personagens e da situação em si nesse primeiro volume. Na verdade, Suzuki parece trabalhar muito bem com opostos nessa série. Ao mesmo tempo em que a história apresenta uma temática mais séria — e presente no Brasil, já que o motivo de tudo acontecer é a corrupção —, a forma como se lida com o problema é meio engraçada, é como se o próprio Suzuki dissesse: sim, é um grande problema, mas isso não quer dizer que não podemos rir enquanto o resolvemos. Ele mistura o cômico da figura do Meliodas com o mistério que ele por si só parecer ser e o poder, aparentemente imenso, que ele demonstra ter — confesso que, quando vi pela primeira vez, eu fiquei chocada e empolgada, porque é sempre bom quando um personagem pelo qual você não dá nada mostra ser fenomenal.

Um detalhe que chama um pouco a atenção é um comentário de um personagem falando de um tal Rei Arthur — é isso mesmo, o Arthur Pendragon, da Excalibur, o que faz a Távola Redonda.

E o mais legal ainda é que um dos Pecados Capitais se chama Merlin… Interessante.

E tem um porco falante na história, gente! Não dá para resistir a um porco falante, né?

The Seven Deadly Sins promete não apenas uma boa história e algumas risadas, como também muita magia. Gostei também do estilo de Suzuki, que, em primeira instância, parece ser bem organizado com a disposição da arte no mangá e, por vezes, ele usa um recurso que me agrada muito, que é usar as duas páginas abertas para um único desenho, sem falar que ele desenha muito bem cenas de luta — uma parte que, a meu ver, é a mais difícil e que, às vezes, o profissional se perde um pouco no que e como mostrar. A despeito do estilo de desenho que me agradou, também gostei bastante da parte textual — não tem encheção de linguiça.

O trabalho da editora está condizente com o que se espera de um mangá, que normalmente segue um padrão de publicação geral para todos — ou, pelo menos, a grande maioria — os mangás. A JBC não costuma inovar muito na apresentação dos mangás — até que seria legal se fizesse isso.

O meu contato com The Seven Deadly Sins foi um tiro no escuro, mas que acabou dando muito certo. A série promete muito e eu pretendo continuar acompanhando.

Recomendo muito a leitura.

Sério, divertido e viciante!

Caroline Defanti

Caroline Defanti é uma jovem escritora e estudante de Letras do Rio de Janeiro. Admite ser indubitavelmente apaixonada e viciada em livros – principalmente ficção fantástica e sci-fi – e adora conversar sobre eles. O que mais ama fazer na vida é ler e escrever.
Autora do livro Irmandade de Copra, recentemente publicado pela Editora Arwen.

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