Provence, de Bridget Asher | Resenha

Review of: provence
book:
bridget asher

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Rating:
5
On 26/09/2017
Last modified:20/11/2017

Summary:

Que narrativa delicada, sensível e profunda!

‘Provence’: o fim pode ser um recomeço

A morte é mesmo o fim? A dor da perda é dura, intensa, visceral. Mas uma hora ela também irá se transformar numa saudade eterna e, até mesmo, acalentadora. Uma lembrança sensível para aquecer o coração. O mais importante é nos permitirmos recomeçar e seguir em frente, levando para sempre os momentos inesquecíveis e a presença tão forte dos entes queridos. É essa jornada de superação e recomeço que temos o prazer de acompanhar em Provence – O Lugar Onde Se Curam Corações Partidos, de Bridget Asher, publicado pela editora Novo Conceito.

No livro, acompanhamos Heidi em sua luta para reconstruir a vida ao lado do filho de oito anos, Abbot, após perder o marido. Seu objetivo agora é manter a memória de Henry viva, mas a missão se torna cada vez mais difícil, à medida que os dias passam e a ausência de Henry se torna quase sufocante. Além disso, Heidi também precisa lidar com a mania de limpeza adquirida pelo filho e sua sobrinha problemática, Charlotte. Até que, um dia, a casa em “Provence”, na França, que pertence à família de Heidi há gerações, é atingida por um incêndio e cabe a ela salvá-la. O local é rico em histórias de amor e surpreendentes coincidências. Mas será que não é a casa que irá salvar Heidi?

A primeira coisa que eu posso dizer sobre esse livro é que Bridget criou uma história linda, sensível e delicada, que toca o nosso coração profundamente. Quem já perdeu uma pessoa querida sabe exatamente como essa ausência é difícil e a dor, absurdamente dolorosa. Cada um tem a sua maneira de lidar com o luto, mas Provence é um livro muito importante por nos mostrar principalmente que é, sim, necessário nos permitirmos sofrer e, acima de tudo, sentir essa perda. Absorvê-la. No entanto, a autora, de uma maneira muito tocante e natural, diz que recomeçar não só é possível, como fundamental.

Por falar em perda, a dor de Heidi é tão palpável, tão real que a gente sofre com ela. A narrativa de Bridget é singela e envolvente, nos fazendo viver tudo aquilo com a protagonista e sua família quase disfuncional. Heidi é uma personagem tão bem construída e tão humana que acompanhá-la em sua própria jornada e vê-la se redescobrir é muito emocionante. Mesmo nos seus momentos mais irracionais e de negação, ela nos desperta empatia. A presença de Henry no livro é tão forte com as lembranças de Heidi que a gente também sente essa perda, porque temos a nítida impressão de que Henry realmente sempre esteve ali, de que, mesmo não sendo um personagem “fixo”, ele sempre fez parte daquela história. E, de fato, ele fez.

E o que falar de Abbot e Charlotte? Mesmo tendo apenas oito anos e adquirido uma mania por limpeza, Abbot é o equilíbrio de Heidi. É o filho que consegue fazer a mãe enxergar coisas que ela tenta negar ou simplesmente fingir que não estão ali, na sua frente. Abbot é uma graça e extremamente sensível. Ou seja, apaixonante. E Charlotte, por incrível que pareça, é uma adolescente que muitos podem achar problemática, mas, na verdade, é um dos personagens mais firmes e sensatos de todo o livro. Sério mesmo. E a dinâmica entre ela, Abbot e Heidi é incrível.

Se eu falar mais sobre os outros personagens, sinto que, de alguma forma, irei tirar um pouco a graça da trama e de seus acontecimentos. Resumindo, Bridget foi certeira em suas escolhas, em todas as personalidades e essências. Cada um deles tem algo a nos ensinar, nos deixa uma mensagem (até mesmo Elysius).

É claro que também não poderia deixar de falar no lugar que dá nome ao título. Provence. Minha nossa, gente, que vontade louca de comprar uma passagem para a França e desbravar essa região! Bridget descreve tudo com tanta paixão, com tanto carinho e detalhe que nos transporta para a casa da família de Heidi. É muito doido porque eu senti como se já tivesse estado lá, como se realmente conhecesse o lugar. Consegui imaginar perfeitamente cada cantinho, cada ponto daquela casa, ao longo da narrativa. E, mais do que isso, senti a MAGIA do lugar. Acreditei em cada história que Heidi e sua mãe contavam sobre a construção.

Provence é aquele livro que te faz chorar e sorrir. Sonhar, suspirar e pensar. Pensar em aproveitar cada segundo, cada momento. Aproveitar a vida em toda a sua essência. Dizer eu te amo sempre que der vontade para as pessoas certas. Viajar. Recomeçar. Viver.
Que narrativa delicada, sensível e profunda!

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada “literariamente”. Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de “A Bela e a Fera”.

2 comentários em “Provence, de Bridget Asher | Resenha

  • 23/10/2017 em 17:18
    Permalink

    Amei a resenha, fiquei com muita vontade de ler… Me cativou bastante!!

    Resposta
    • 20/11/2017 em 12:21
      Permalink

      Oi, Lindiene!

      Que bom que gostou!! Muito obrigada pelo comentário! 🙂

      Olha, eu sou suspeita, mas vale a pena! É um livro muito bonito e emocionante!

      Beijos

      Resposta

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