Aislan Coulter renova e propaga o terror gore nacional

Escritor paulista é considerado uma das promessas do horror nacional e traz uma mistura bem brasileira aliada ao grotesco

A capacidade de chocar, incomodar e, ainda assim, cativar um público bastante exigente e despontar como uma das promessas do horror nacional. O escritor paulista Aislan Coulter definitivamente não tem medo de dividir com os leitores suas criaturas sobrenaturais em páginas recheadas de sangue e terror. Em seu segundo livro, Twittando com o Vampiro (lançado em formato digital na Amazon), ele mistura as origens da lenda clássica com uma pegada mais gore, uma das principais características de suas narrativas.

Autor de um gênero que só recentemente começou a ganhar o destaque e o reconhecimento que merece, Aislan exaltou a mudança de cenário no mercado literário nacional e os nomes que estão ajudando a reverter o preconceito sofrido pelo terror em admiração.

“O cenário mudou muito”, afirmou ele em entrevista ao Vai Lendo para o projeto Vai Lendo Novos Autores/Independentes. “Surgiram vários autores, as editoras abriram as portas para o gênero. As coisas estão caminhando. O terror fascina. A página do THS (Terror, Horror, Suspense) conta com mais de meio milhão de seguidores ativos.  Vivemos um grande momento para o terror e para a literatura. O Diário de um Exorcista, do Renato Siqueira e do Luciano Milici, está na Netflix Mundial. O Condado Macabro, do cineasta e escritor Marcos DeBrito, está no Telecine. A maior comunidade de horror da web, a Mal do Horror (da qual o próprio faz parte), lançou sua primeira antologia, a Narrativas do Medo. Temos a incrível Biblioteca do Terror, do Rafael Michalsky, e o site ‘Boca do Inferno’, de Marcelo Milici e companhia, entre tantos outros, como o blog ‘Ficção Terror’, do grande Abdala. O ‘Pausa para Pitacos’ também tem um papel importante no cenário. Booktubers e blogueiros estão ajudando a promover a literatura nacional.  O Raphael Montes está na TV Brasil com o ‘Trilha das Letras’. Temos ainda plataformas Wattpad, Luvbook e o KDP da Amazon. Isso tudo é fantástico!”.

Aislan, por sua vez, é muito consciente no que diz respeito à sua própria obra e ao tipo de público para o qual escreve. Mas nada que possa criar mais pressão ou preocupá-lo.

“O preconceito literário, aquele velho papo ‘culto’ de literatura séria, não me preocupa”, garantiu. “Eu me esforço para escrever ficção barata. Minha escrita não é nem pretende ser intelectual.  Sei também que horror gore é para um determinado público. Não é todo mundo que gosta de ver cenas splatters (cenas consideradas grotescas e de extrema violência) no papel. A literatura não é como o cinema, não dá para fechar os olhos ou simplesmente virar o rosto”.

 

Antes de se aventurar na trama vampiresca, o escritor já havia lançado O Cordel de Sangue, sua primeira obra, uma antologia de contos do Sertão dos cangaceiros. E, claro, com muito sangue, tripas, vísceras. Tudo com aquela criatividade que só o folclore brasileiro é capaz de proporcionar. Aliás, Aislan fez questão de apontar como a cultura nordestina é esquecida pelos próprios artistas brasileiros.

“A cultura Nordestina me fascina”, declarou. “Sempre fui fã do Glauber Rocha e o filme Corisco e Dadá, do Rosemberg Cariri, é o meu filme de cabeceira. Nossa cultura é riquíssima. A mídia enterrou o Nordeste. Tirou a nossa identidade. Fomos saqueados pela indústria. Nossa cultura foi sufocada e desapareceu. Isso tudo começou na música e engoliu todo o resto. Basta ligar a TV ou o rádio para comprovar isso. O que se tem, hoje, é uma inversão de valores em todos os sentidos e isso é preocupante. Afinal, você é o tipo de cultura que você consome”.

Ele, que também é professor e tem ainda como referências literárias nomes como Stephen King, Clive Barker, Philip K Dick, Asimov, Chuck Palahniuk, Antony Burguess, Perry Rhodan e mais -, contou ainda que a experiência com seus alunos também fortalece e influencia a sua criação.

“Pretendo voltar em breve ao ambiente escolar”, garantiu. “Gosto de dar aulas. Estudei para ser professor. Minha relação com os alunos sempre foi muito produtiva. E discutíamos sobre tudo, literatura, cinema, música. Teve um fato interessante que aconteceu na cidade de Iepê, no interior do estado de São Paulo. Tínhamos um desafio naquele mês, por causa do Halloween. Cada estudante contaria uma história de terror. A melhor história ganharia um prêmio. Um aluno nos contou uma história e tanto. Era uma lenda urbana, eu não conhecia, chama-se Vaca Louca. Gostei tanto da narrativa que a encaixei  no meu novo livro. Foi uma experiência incrível”.

Defensor e adorador declarado do gênero, Aislan é também um dos autores da antologia do Congresso Nacional de Escrita Criativa.

SINOPSE DE ‘TWITTANDO COM O VAMPIRO’:

O livro traz o vampiro clássico com uma pegada gore. A história se desenrola por meio de três narrativas: A morte narrando os ataques do vampiro; as páginas do diário de Aline Brein, uma jovem esquizofrênica que teve sua intimidade exposta na internet; um assassino da Deep Web no Norte do país em busca de uma cruz perdida.  Twittando com o Vampiro é um livro sobre vampiros, fantasmas e vodu haitiano.

Lançamento: 14/06/2017

Gênero: Terror

Formato: Livro Digital /vendido apenas na Amazon

Links:

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https://www.skoob.com.br/autor/17794-aislan-coulter

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http://pausaparapitacos.blogspot.com.br/2017/05/resenha-o-cordel-de-sangue-aislan.html

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada “literariamente”. Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de “A Bela e a Fera”.

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