A Casa do Lago, de Kate Morton | Resenha

Review of: a casa do lago
book:
kate morton

Reviewed by:
Rating:
5
On 08/08/2017
Last modified:18/08/2017

Summary:

Que escrita brilhante, arrebatadora e surpreendente!

‘A Casa do Lago’: cuidado, leitura altamente viciante!

Promessas. Destino. Família. Três palavras que, separadas, já possuem um grande significado. Mas, juntas, representam algo intenso e imprevisível. Principalmente se estivermos falando da trama do surpreendente e altamente viciante A Casa do Lago, de Kate Morton, publicado pela editora Arqueiro. Que livro, que história, que escrita. Kate sabe como mexer na mente e no coração dos leitores e nos hipnotizar com a sua narrativa brilhante.

Em A Casa do Lago, conhecemos a estimada família Edevane, que, em 1933, está às voltas com o preparativo para a aguardada festa do solstício de verão. Alice Edevane, a segunda filha, é uma jovem e promissora escritora, que concluiu a escrita de seu primeiro livro e está secretamente apaixonada. O que ninguém poderia imaginar, na época, era como aquele verão iria mudar para sempre as suas vidas, após a família sofrer uma perda devastadora em plena comemoração, que a obrigou a sair da casa que tanto amavam. Setenta anos depois, a detetive Sadie Sparrow é obrigada a tirar uma licença do trabalho e resolve passar um tempo no chalé do avô, na Cornualha. Até que, um dia, durante um passeio, ela se depara com uma casa abandonada e descobre a história de um bebê que desapareceu sem deixar rastro. Obstinada, Sadie decide investigar, o que fará com que seu destino cruze com o de Alice, agora uma senhora e renomada escritora de romances policiais. Alice, que sempre tentou fugir dos fantasmas do passado, terá que lidar com as perguntas de Sadie e com os segredos que estão prestes a ser revelados.

A Casa do Lago é aquele livro simplesmente impossível de largar. Kate tem uma escrita tão detalhista e, ao mesmo tempo, fluida, que nos faz imergir de maneira arrebatadora na história, de forma que somos completamente transportados para dentro das páginas, seja para a realidade dos Edevane ou para a realidade de Sadie. O modo como a história transita entre passado e presente e nos apresenta os mais variados pontos de vista, com as perspectivas de boa parte dos personagens, é simplesmente genial e instigante. Eu queria saber mais. Queria desvendar aqueles segredos, queria entender o que os levou até ali. E Kate nos proporciona essa experiência. Entramos na mente dos Edevane e de Sadie e somos estimulados a procurar pistas nas entrelinhas, a formar teorias e suposições que, ao longo da leitura, a autora desmistifica. É um jogo de perguntas e respostas ardiloso, brilhante e viciante.

É impressionante a capacidade de Kate de nos surpreender e, ao mesmo tempo, amarrar tão bem a sua narrativa. Ao longo da história, várias possibilidades são apresentadas e descartadas e, à medida que o quebra-cabeça é montado, temos aquela sensação de prazer explícito e contentamento que só uma boa história é capaz de proporcionar. Fiquei encantada com a capacidade da autora de costurar e desenvolver várias tramas ao mesmo tempo que, ainda assim, no final, se interligavam. E isso tudo sem perder o ritmo, muito menos a força e a coerência. Me envolvi tanto com o livro que, no fim, além daquela sensação de vazio e uma certa depressão pós-leitura, senti uma espécie de reconhecimento. Como se eu realmente tivesse conhecido todos aqueles personagens e, de alguma forma, vivido aquilo com eles. Muito louco. E maravilhoso. Para mim, livro bom é aquele que me proporciona essa imersão total e profunda. Eu gosto de viver as histórias. De me sentir parte delas.

Agora, o trunfo de A Casa do Lago, para mim, são os personagens. Todos eles. Até mesmo Constance DeShield. Porque todos eles desempenham o seu papel que, em algum momento, se torna fundamental para o desenvolvimento da história. As viagens no tempo nos permitem conhecer as origens da família Edevane e, mais do que isso, nos mostram todo um passado responsável por definir as personalidades marcantes e os destinos de cada um deles. É tudo tão lógico e verdadeiro. Não existe o bem e o mal. O que Kate nos apresenta são seres humanos que defendem seus valores e ideais, sua família e suas promessas. A qualquer preço. Ainda que precisem lidar com as consequências para o resto da vida. Eu poderia discorrer sobre todos os personagens da família Edevane e do núcleo de Sadie, mas, além de deixar a resenha muito extensa, tenho a impressão de que não faria jus a todos eles. Todos são importantes, assim como as suas histórias. Por mais que Alice e Sadie tenham, de fato, ares de protagonistas (e, com certeza, merecem), os desdobramentos de A Casa do Lago não seriam os mesmos sem Anthony, Deborah, Clemmie, Daffyd, Bertie, Theo, Peter, Constance, Ben e, claro, Eleanor (essa, para mim, deveria dividir o posto de “protagonista” com sua filha, Alice, e Sadie; que personagem, minha gente! Que personagem!).

A Casa do Lago certamente já entrou na minha lista de melhores leituras de 2017. Há algum tempo eu não me sentia tão ávida por uma história, com aquela gana de terminá-la para saber exatamente o que aconteceu, mas, ao mesmo tempo, fazendo aquele esforço sobrenatural para o livro render e não terminar. Quem entende os leitores, não é mesmo? Só sei que, cada minuto livre que eu tinha, eu dedicava às histórias criadas por Kate Morton. De verdade, gente. Viciei mesmo. No fim, eu praticamente poderia trabalhar como parceira de Sadie nas investigações. Ou, então, me oferecer como assistente de Alice. Na verdade, o que eu gostaria mesmo era de bater um papo com a Kate e ler todos os seus outros livros.

Que escrita brilhante, arrebatadora e surpreendente!

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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