Entrevista: Vinícius Grossos

Em entrevista ao Vai Lendo, o escritor carioca Vinícius Grossos fala sobre Young Adults, a identificação com o público jovem e o mercado editorial para autores nacionais

O talento que transformou o sonho em realidade. A vocação que falou mais alto e abriu as portas de um mundo cheio de palavras, páginas e criatividade. Com apenas 24 anos, o escritor carioca Vinícius Grossos já conquistou o coração dos leitores e ganhou um lugar cativo em suas estantes. Autor de livros como O Garoto Quase Atropelado e 1+1 – A Matemática do Amor (escrito em parceria com Augusto Alvarenga), publicados pela Faro Editorial, ele apresenta uma capacidade especial para se comunicar com o seu público, especialmente os jovens, e abordar de maneira delicada e verdadeira temas profundos e importantes que precisam ser cada vez mais debatidos na literatura.

“A verdade é que, muitas vezes, como leitores, nós gostamos de viajar e viver uma vida diferente da nossa, mas em outros momentos queremos nos ver representados numa história”, declarou Vinícius ao Vai Lendo. “Queremos pegar um livro e falar: ‘é, eu passei por isso/ eu senti isso’. E acho que o 1+1 cumpre essa função, sabe? Fala sobre um assunto ainda polêmico (infelizmente), mas quebra paradigmas porque o foco era o primeiro amor (o livro traz a temática LGBT). Então, acho que, quando essa identificação acontece, se cria um laço afetivo verdadeiro entre leitor – livro – autor, o que faz com que o leitor procure mais livros em que ele se veja representado”.

Justamente por essa relação com o público, Vinícius – cujo primeiro livro publicado, Sereia Negra, é de fantasia – já mostrou a preferência pelo gênero Young Adult. Ele – que também é estudante de Jornalismo – declarou que, além de poder explorar todas as nuances e conflitos próprios dessa fase, há também a nostalgia de relembrar as suas próprias experiências.

“Eu escrevo livros e histórias que eu gostaria de ler”, afirmou. “E, particularmente, amo livros YA. Amo essa idade, essa fase quando somos adolescentes, em que o amor, a dor, a vida são sentimentos intensos demais. É uma fase também de descobrimento, de autoaceitação, e eu amo as alegrias e tristezas desse período. Por isso, escrevo YA. Porque, quando escrevo, revivo sentimentos que eu já passei. E aí, por ser relativamente novo, acho que me aproximo mais dessas questões, por ter vivido recentemente essa fase e fazer parte dessa geração mais aberta às diferenças”.

Tanta identificação só poderia resultar numa relação intensa e extremamente próxima com os leitores, principalmente com a ajuda das redes sociais. E isso, apontou Vinícius, é a maior recompensa. Figura garantida em boa parte dos eventos literários, o escritor exaltou a participação do público e confirmou, porém, que é difícil manter uma separação entre o pessoal e o profissional na hora da escrita.

“Essa relação (entre escritor e leitor) é MARAVILHOSA!”, ressaltou. “Uma das melhores coisas de se escrever. Eu amo interagir com meus leitores, saber o que eles estão pensando, sentindo, o que querem. Amo criar laços verdadeiros e palpáveis. Agora, na hora de criar uma obra, confesso que tento manter uma certa distância para que isso não influencie completamente alguma história que eu queira contar, sabe? Mas, no fim das contas, escrevo para eles e para mim. Então, sim, o gosto deles me influencia”.

Se já é difícil escrever algo sozinho, imagina em conjunto. Além de tudo isso, Vinícius também falou sobre a experiência de dividir a autoria de O Verão Em Que Tudo Mudou (também publicado pela Faro Editorial) com outras duas autoras – Gabriela Freitas e Thaís Wandrofski.

“Eu realmente tive muita facilidade de trabalhar com as meninas”, garantiu. “Elas foram e são totalmente abertas a novas ideias. E, como eu que inicio o livro, acho que tive mais facilidade para criar a minha história, antes da inserção. Mas a interação das nossas personagens foi toda feita em conjunto e de uma forma muito respeitosa com a criação um do outro”.

Vivendo o sonho de centenas de escritores que lutam por um lugar num mercado editorial fechado e bastante competitivo, Vinícius destacou as facilidades que um aspirante a autor encontra, hoje, para dar início à carreira, e sem editora. O importante, indicou, é ter foco e se manter sempre atualizado.

“O mercado tem fases, né?”, concluiu. “Há dois anos, ele se abriu demais para o autor nacional. Agora, vivendo momentos de crise, ele se fecha novamente. Mas, num comparativo sincero, as dificuldades que um autor nacional sofria há cinco anos para se inserir no mercado nem se comparam às facilidades e aos meios de acesso que o autor encontra atualmente com a Amazon e o Wattpad, por exemplo. A questão é, antes de tentar, estudar o mercado, suas vertentes, e traçar planos”.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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