Entrevista: Giulia Paim

Em entrevista ao Vai Lendo, a jovem escritora Giulia Paim fala sobre o relançamento de ‘Boston Boys’, a continuação, ‘Boston Boys 2’, os desafios em começar a carreira e a paixão pela escrita e pela cultura oriental

O rosto e o jeito são de menina, mas o talento e a criatividade são de alguém que, aos 14 anos, já começava a escrever a história que lhe ajudaria a realizar o sonho de ser uma autora. Com apenas 18 anos, na época, Giulia Paim lançava seu primeiro livro, Boston Boys – em 2014 -, que, hoje, além de ter sido relançado pelo selo jovem Globo Alt, da Globo Livros, ainda ganhou uma continuação, Boston Boys 2. E é com esse frescor jovem que ela conquistou o público, especialmente por conseguir se comunicar com os leitores de uma maneira leve e natural.

Reprodução Facebook Globo Alt

Boston Boys traz muita música e romance, com uma trama focada numa boy band e passada nos Estados Unidos. Inicialmente, porém, a ideia de Giulia – uma geek nata e apaixonada pela cultura oriental-, era que a história se passasse no Japão. Mas essa não foi a única mudança pela qual o livro passou. Recentemente, a identidade visual da obra também foi alterada, depois de ter sido adquirida pelo Globo Alt. Para a autora, que também é publicitária, a nova estética está de acordo com a proposta do livro e representa a sua nova fase literária. Ela ainda destacou a parceria com a editora na hora de trabalhar a divulgação de Boston Boys, ressaltando a importância de o escritor também fazer a sua parte nesse processo.

“Fiquei apaixonada pela nova identidade visual!”, afirmou Giulia ao Vai Lendo. “Foi um trabalho conjunto e muito legal. Enviei referências para a Globo e fomos conversando e moldando juntas as novas capas. Eu adoro como as cores se complementam nos dois livros e achei que ficou com uma cara super jovem e para cima; era exatamente a ideia que eu queria que Boston Boys passasse para os leitores! Realmente foi uma mudança bem grande, e sinto que representa essa minha nova fase no universo literário. Estou mais experiente, mas sempre buscarei esse lado teen e descontraído nos meus livros. E quanto ao processo na nova editora, eu procuro me envolver o máximo que posso. A gente não pode achar que depois de encontrar uma editora o trabalho vai todo para eles, certo? Eu atualizo minhas redes sociais e as fanpages do livro sempre com novidades e curiosidades sobre a história, procuro participar de eventos literários e palestras em escolas, e até bater papo com os vendedores das livrarias. Também estou sempre em contato com os leitores, porque, afinal, o que seria do livro sem eles? Agora que estou com a Globo, a divulgação se expandiu, e isso é ótimo! Mas mesmo assim, sempre continuarei correndo atrás. A conversa com a editora sobre ideias e oportunidades tem que ser frequente porque somos parceiros!”.

Divulgação

Se, por um lado, a pouca idade causou certa desconfiança, por outro, Giulia se destacou pela conquista precoce. Determinada, ela não se abateu frente aos obstáculos e mostrou uma maturidade para vencer o desafio como poucos. Tanto que, agora, a escritora pode comemorar o lançamento da continuação de seu primeiro livro, mesmo com tamanha expectativa por parte do público que, ela confessou, a fez sentir um frio na barriga.

“Minha maior dificuldade foi entrar no mercado literário sendo uma autora nova, tanto de idade quanto de experiência”, explicou. “Era meu primeiro livro publicado e eu tinha acabado de fazer 18 anos. Corri atrás de muitas editoras e recebi muuuitos ‘nãos’, isso quando não recebia resposta alguma. Mas felizmente não desisti e encontrei uma que quis apostar no meu trabalho. Não sofri nenhum preconceito, pelo contrário, recebi respostas muito positivas e impressionadas, quando as pessoas descobriam que eu era uma autora publicada com essa idade. Confesso que, quanto mais próximo estava o lançamento de Boston Boys 2, mais frio na barriga eu sentia, sim. Foram quase três anos de intervalo entre um livro e outro, e muitos leitores estavam com expectativas altas. Mas, ao mesmo tempo em que eu sentia essa pressãozinha, estava ansiosa para que as pessoas pudessem ler logo. Senti que fiz um bom trabalho e torci para atender às expectativas deles. No segundo livro, novos personagens foram introduzidos, principalmente Daniel, o quarto integrante da banda, e isso impacta muito os personagens do primeiro. Podemos ver que isso trouxe à tona lados diferentes deles, bons e ruins, que não foram explorados em Boston Boys 1. A amizade dos meninos e de Ronnie foi posta em prova novamente. Mas há algumas coisas que continuaram as mesmas, como Mason sendo folgado, Ronnie sendo dramática e a paixão de Mary por Ryan, por exemplo”.

Reprodução Facebook Globo Alt

E, claro, com a música tão presente em suas obras era de se esperar que a inspiração para os Boston Boys viesse do “mundo real”. E não deu outra! Quando perguntada em quem se inspirou para criar a boy band, Giulia foi enfática ao responder: personagens de animes e mangás, com uma ajudinha do KPOP (a música pop coreana).

“Sou muito, muito, muito fã de K-Pop!”, declarou. “A inspiração inicial dos meninos veio mais de personagens de mangás e animes, que era o meu maior vício na época, mas o K-Pop ajudou muito também! Lá na Coreia, ainda é muito forte a presença de boy bands, mais que nos EUA. A minha preferida de garotos se chama B1A4 e é composta por cinco integrantes com personalidades bem diferentes e marcantes. Coloquei bastante disso no Mason, no Henry e no Ryan. Já a minha banda de K-Pop feminina preferida é a 2NE1, que é aquele pop bem farofa mesmo, mas que enaltece a força e o poder das mulheres. Eu amo!”.

Giulia também ressaltou o fato de ter uma idade próxima ao seu público como algo inspirador e que a ajuda a trabalhar em suas histórias, justamente por conseguir pensar como eles e se aproximar dessa realidade. Para ela, a internet é fundamental não apenas para estreitar essa relação com seus leitores, mas também para o seu próprio trabalho.

“Minha relação com o público é ótima!”, confirmou. “O fato de ter a idade tão próxima deles e ter saído recentemente da adolescência me ajuda muito a entender o que se passa na mente deles e o que eles querem. Eu tive as mesmas inseguranças e desejos que eles tiveram há pouco tempo, então está tudo bem fresco na minha cabeça. Eu escrevo sobre jovens e para jovens; por isso, ser jovem também junta o melhor dos dois mundos! Os leitores influenciam muito na escrita. O feedback deles é importantíssimo, é o que me estimula a continuar escrevendo! Eu ganho o meu dia quando recebo alguma mensagem carinhosa de um leitor que gostou da história e diz que está ansioso para a continuação. Isso me faz escrever com um sorriso gigante no rosto. A internet é fundamental, é onde os jovens vivem agora! Eu mesma não consigo ficar sem internet por um dia sequer! É através dela que, além de divulgar meu trabalho, tenho a oportunidade de conhecer leitores antigos, novos e potenciais”.

Giulia Paim / Divulgação Facebook Globo Alt

Por tudo isso, Giulia também já virou uma referência não apenas para os seus leitores, mas principalmente para aqueles que, assim como ela, são jovens e sonham em ser escritores. E com a propriedade de quem já caminhou por um longo caminho e hoje colhe os frutos dessa força de vontade, ela destacou a importância de nunca desistir e principalmente não limitar a sua criatividade. É fundamental, ela indicou, deixar a sua mente fluir. E, acima de tudo, correr atrás do seu sonho.

“Escrita, para mim, é tudo”, concluiu. “Desde pequena, gostava de criar histórias e mostrá-las para minha família e amigos. É um jeito de expressar o que está na imaginação. É um instrumento de poder, porque você pode criar absolutamente qualquer coisa, qualquer pessoa, qualquer universo! Meu conselho para jovens e todas as pessoas que desejam se tornar escritoras é esse: corram atrás! O caminho é difícil? Demais. Você vai receber muitos nãos? Com certeza. Mas um dia o esforço é recompensado! E, quando esse dia chega, você percebe que valeu a pena perseguir o seu sonho. Trabalhar com o que a gente gosta de verdade é uma das melhores sensações que existem. Nunca limite sua imaginação, deixe ela ser livre e te guiar! O mercado literário no Brasil infelizmente não é muito valorizado, então é um caminho bem longo para se inserir e se destacar nele. Mas é assim que a vida é, não é? Em qualquer área, a gente tem sempre que se esforçar para se destacar. E, se a escrita é a sua paixão, então escreva sempre e leia muito! O ponto positivo é que o brasileiro, agora, está lendo cada vez mais; ou seja, é uma bela oportunidade! Tente também fazer coisas pela primeira vez. Qualquer experiência, por mais banal que seja, pode servir de inspiração um dia!”.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

Um comentário em “Entrevista: Giulia Paim

  • 21/05/2017 em 18:18
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    A Giulia Paim está escrevendo Boston Boys 3?? Eu preciso desse livro agora, sério, sou apaixonada. Ja li 3 vezes os dois livros dela

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