Entrevista: Marvin Cross

Ah, o amor. Quem nunca se apaixonou não vê a hora de isso acontecer. Quem está apaixonado garante que é a melhor sensação do mundo. E quem já se apaixonou… Bem, talvez não queira repetir a experiência. E se você pudesse se desapaixonar? É justamente essa a trama de Desapaixonante, cuja primeira temporada foi publicada em formato digital pelo escritor maranhense Marvin Cross. Sim, você não leu errado. Temporada. A 1ª temporada da obra está disponível no blog do autor, no Wattpad e também está à venda como e-book na Amazon.

Mesmo com um formato mais “ousado”, Marvin afirmou que não vê muitas diferenças entre os estilos de narrativa, destacando apenas a influência do formato das séries de TV. Ainda que a divisão da obra em diversos volumes possa ser um desafio futuro, ele ressaltou que o público logo se acostuma a essa estrutura.

Desapaixonante é uma mescla de literatura com TV (mas sem a presença desta, diretamente)”, explicou Marvin ao Vai Lendo. “A ideia de escrever em formato de série ocorreu por conta de eu acompanhar produções que me ajudaram e influenciaram a minha escrita, então, achei inovador brincar com essa união entre literatura e algo fora dos formatos literários. O que eu faço é imaginar as cenas como se elas fossem ser reproduzidas em vídeo, mas moldadas de forma literária, já que este é o veículo pelo qual a história chega ao público. Geralmente, eu projeto/planejo episódio por episódio, com tópicos sobre o que será tratado em cada um, criando um elo entre eles, mas mantendo a ideia de uma série procedural, ao mesmo tempo em que estou contando uma só história. Os episódios são escritos separadamente porque, quando a história surgiu, a ideia foi postar um episódio por semana (outra influência das séries de TV) e, ao final de cada temporada, eu junto os arquivos num só, como se compusessem um único livro. Cada temporada seria um livro. Os desafios de se escrever nesse formato são a estranheza com que algumas pessoas recebem a história, mas elas se acostumam logo. Eu diria que outro desafio é o mesmo enfrentado por milhões de outros escritores, que é a fragmentação da série em vários volumes, o que dificulta o acesso às editoras, por exemplo. E, no meu caso, prefiro manter a história dividida em volumes mesmo. A leitura, no entanto, flui semelhantemente à qualquer outra. Desapaixonante poderia ser encarado como diversas trilogias, quadrilogias e séries por aí, no sentido de cada livro deixar pontas soltas para os próximos”.

‘Desapaixonante – 1ª temporada de Marvin Cross’/ Divulgação

A história sobre um casal de amigos dono de uma empresa especializada em ajudar as pessoas a se desapaixonarem – mas que também precisa lidar com seus próprios problemas e dilemas – já tem três temporadas prontas e deve terminar na quarta, indicou Marvin. A trama inusitada surgiu de seu hábito de escrever crônicas de humor com finais, digamos, irreverentes e bizarros. No entanto, ele ressaltou, alguns leitores até já se mostraram interessados no serviço.

“A própria premissa da história é sobre algo bizarro, mas é retratada como algo sério (uma empresa)”, explicou. “É engraçado imaginar como seria a atuação dela na vida real; várias pessoas já me disseram que contratariam os serviços.  Na minha opinião, o que mais despertaria o interesse nessa empresa seria a praticidade ofertada. Mesmo alguém emocionalmente mais forte poderia chamar Milena ou Sávio para resolver o seu problema de uma forma, digamos, mais garantida”.

Falando de leitores, Marvin destacou a importância do retorno e do reconhecimento do público para a evolução da obra. Para ele, é importante ter o feedback para identificar os pontos positivos e negativos da história. Tanto que, o foco agora, Marvin confirmou, é correr atrás para que publicar Desapaixonante na versão física.

“Eu aposto na história e acredito muito nela, não só por ser o autor, mas porque, quando eu a escrevo, tento deixá-la divertida a um ponto que me interessaria se eu estivesse no lugar de leitor em vez de criador. Na Amazon já tive quase 300 downloads, entre pagos e gratuitos. Mesmo com poucos comentários ainda, as pessoas que comentam sempre parecem bastante empolgadas e envolvidas com as situações narradas e, querendo ou não, esse retorno exerce certa influência, sim. Eu já tenho uma boa ideia do que meus leitores abominariam. Desde que finalizei a primeira temporada, em junho de 2015, sempre foi a minha intenção lançar a versão física. Desde então, tem sido uma corrida incessante em busca de editoras. Se os planos derem certo, esse ano a 1ª temporada sai finalmente nesse formato”.

Juliana d'Arêde

Jornalista de coração. Leitora por vocação. Completamente apaixonada pelo universo dos livros, adoraria ser amiga da Jane Austen, desvendar símbolos com Robert Langdon, estudar em Hogwarts (e ser da Grifinória, é claro), ouvir histórias contadas pelo próprio Sidney Sheldon, conhecer Avalon e Camelot e experimentar a magia ao lado de Marion Zimmer Bradley, mas conheceu Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira e não poderia ser mais realizada "literariamente". Ainda terá uma biblioteca em casa, tipo aquela de "A Bela e a Fera".

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